quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

VOCÊ TEM O GOVERNO QUE “MERECE”?




“Cada povo tem o governo que merece”, asseverou Joseph-Marie Maistre (1753-1821). Trata-se de uma constatação absurda e cruel e denota apenas uma desesperada opinião.
Obviamente, saem das urnas os políticos que dizem o que o povo quer ouvir, não quem diz a verdade. Quem inventa consertos mirabolantes, não quem vê que algo está errado.
Indivíduos que põem o dedo na ferida e que se condoem com a situação precária da comunidade, da sociedade, e que deseja mudar o que existe por ver aí erros não terá vez no rol dos agraciados com o poder público a não ser em bem poucas vezes, quando a lucidez parecer acudir aos votantes.
Isso porque o povo, isto é, aquele que vota e legitima o poder, só gosta de quem lhe passe a mão na cabeça, de quem lhe dá algum “presente”, de quem lhe engane com promessas vãs.
Contudo, sair das urnas os políticos mais canalhas, e ser dado a eles o poder e o direito de decidir por todas as pessoas por determinado período não quer dizer que aqueles que não votaram nesses políticos mereceram sua eleição.
Todos podemos individualmente opinar, mas é a maioria quem decide e vence. Isto é a Democracia. O que não significa que mereçamos o governo daí formado. Merecer quer dizer “ser digno de”; é uma indicativa de que a pessoa fez uma ação digna de ser agraciada, de ser premiada, que fez jus a algo. Como se poderia falar em “merecer” um governo corrupto ou demagogo?
Considero a frase “cada povo tem o governo que merece” como um insulto cuja transparência recai apenas nos vencidos; advinda da opinião das pessoas que aceitam o que acontece sem mover uma única palha para modificar o que está errado, ainda que seja através de uma crítica. Ficar de braços cruzados esperando o governo da “maioria” fazer o que bem entende com a coisa pública, isso sim, é merecer o governo que tem.
Francamente, não mereço esse tipo de governo, e não sou partícipe na sua sustentação.

sábado, 10 de dezembro de 2011

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: SERVE PARA QUÊ?


LIBERDADE DE EXPRESSÃO: SERVE PARA QUÊ?

A liberdade de expressão é um direito constitucional, mas é prejudicial e faz mal. A Carta Magna assegura que “é livre a manifestação de pensamento” (art. 5º, IV), mas o legislador se esqueceu de dizer que é melhor se manter quieto, calado, mudo, baixar a cabeça pra tudo, porque se a pessoa abrir a boca para falar, caçarão esse direito de todas as formas. Então, a pessoa precisa ponderar o que vai dizer, precisa ver em qual terreno escorregadio dos interesses está pisando, precisa ter o cuidado terrível de se omitir.
O mesmo artigo diz que “é velado o anonimato”. Ora, amigos, se o falante se mostrar, se tiver a petulância de erguer sua voz contra autoridades ineficientes, se tiver a desfaçatez de se aproveitar desse direito e cumprir com o dever que lhe é correlato, sofrerá consequências bastante desagradáveis.
A liberdade de expressão, a meu ver, só é válida quando a pessoa fala besteiras sem jamais opinar sobre algo de relevância. Esse direito constitucional só é aproveitado por quem não tem nada a dizer. Para pessoas que opinam, que se posicionam, que não se sentem perturbada com o descaso, que lutam por direitos, a tais pessoas a liberdade de expressão é apenas uma falácia.
Pergunto: a liberdade de expressão, direito constitucional, serve para quê? De minhas ponderações sobre a lei e sobre a necessidade de falar, eu não sei qual é a resposta. Mas tenho a leve impressão de que ela só serve para nos manter calados.