terça-feira, 27 de outubro de 2009

SOBRE MIM E O RESTO DO MUNDO


SOBRE MIM E O RESTO DO MUNDO

Pra começo de conversa,
Sou Anarquista!


Há um absurdo de notícias sobre mim
Que eu não entendo;
De como meu corpo reage
(ao frio, ao calor ou ao amor)
E porque as mutilações que eu sofro
(no cabeleireiro, ou na manicura ou quando tomo meu banho)
Não excluem minha vida;
Nem porque Deus fez de mim
Um caro com intenções vagabundas,
Com uma fé abalada
E um coração inexpugnável.

Há um clarão sobre minha cabeça
E dentro dela um mundo inimaginável de entretenimento,
Diversão, loucura e paixão,
E as rimas do Cordel de Fogo
Encantando minhas memórias e
Arrepiando meus pelos;
E eu me pergunto qual análise
Deus faz de minha sensatez ou da desordem
Do meu coração.

Mas qual diferença há
Entre mim e o resto do mundo
E quantos caminhos precisarei percorrer
Para chegar até os pés do Senhor,
Não sei nem desejo saber,
Mas a virtude de Cristo
Eu queria para minha vida;
Pois naquelas mãos estendidas
E naquele peito divino
Corria o suor e batia o sino da bondade.

As minhas intenções vagabundas não me tornam mau, nem bom,
Nem grande, nem pequeno,
Sou apenas homem que desconhece as inclinações
Do próprio coração
E não sabe quanto tempo ainda resta
Até a humanidade alcançar a perfeição.
Mas eu gosto de ser imperfeito,
Pois dos doces e azedos da minha imperfeição
Eu sei retirar o sabor exato da vida.

É nisto que eu levo vantagem,
Pois as pessoas que eu olho
E com as quais cruzo pelas ruas
Reconhecem, apenas, as mazelas das obrigações.
Ser eu um vagabundo me difere, me excita e me faz
Correr só por correr, ou ler só por ler,
Para tirar disto o prazer que nisto houver.