sábado, 17 de setembro de 2011

QUEM ME DERA QUE EU MORRESSE HOJE...

Morrer não é na verdade morrer. Morrer é transformar. Morrer é deixar de ser (José Saramago)
Ó meu Deus, ó Jah, Quem me dera Que eu morresse hoje! Quem me dera Que esse pó que sou se espalhasse, Virasse poeira e E se perdesse nesse céu tão vasto Ou nesse mar tão largo... Se eu morresse hoje Então eu não teria que ter sonhos Nem teria que traçar destinos, Eu teria apenas que ter fim... Que eu findasse numa praça sem monumentos Longe do rebuliço das pessoas, Distante da velocidade dos automóveis Para poder sentir a calma da partida E para poder me lembrar, Por um momento apenas, Como era estar vivo... Ou que eu findasse Aos pés das ondas, Vendo o mar, sentindo-o e banhando-me nele Para que ele me levasse à eternidade do sepulcro... Quem me dera que esse pó que sou Derretesse sob uma forte chuva E depois fosse embora com as enxurradas E que sobrasse na minha ida Apenas um pequeno veio de cal Indicando levemente O fim de uma dorida existência... Ou ainda, Que o meu corpo se desintegrasse Feito partículas subatômicas, Se misturasse ao ar, Ou que virasse capim, Que desse vida mesmo depois de morto... Quem me dera, meu Deus, Que eu morresse hoje... Ao menos eu não teria mais Que juntar forças Para continuar cada dia Levando embora esta sangrenta dor... Se eu morresse hoje, Nunca mais eu teria que pensar...