sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

NATAL



"É natal,
Nasce um deus.
Outros morrem...
Na província neva".

Fernando Pessoa

Não há nada de errado em a neve não cair,
Estamos num país tropical.
Estamos acostumados a pensar o natal
Como o nascimento de Cristo
E quase sempre faz frio e chove nesta época do ano.
Como pode uma estação tão fria
Produzir alguém tão humanamente quente?

A face esmagada no outdoor parece chorar.
Revela um homem desiludido.
Os braços estendidos estão sempre cravados,
O olhar dele é distante,
Seu corpo sempre pendurado...

Quantos deuses terão de morrer
Para que alcancemos o perdão?

A face de Cristo no jornal
Se vai permanentemente cansada.
Tem sempre o olhar distante
E quase sempre não olha para nada...

Eu o vejo talvez como todo mundo...

Mas não é esta a lembrança que gosto de ter.
Prefiro o homem simples
Com olhar forte
Que ensinou coisas maravilhosas
E mudou para sempre a maneira de ver...
Por isso não louvarei o madeiro
Nem me prostrarei ao outdoor.
E por eu não aceitar
Esse Cristo macerado do jornal
É que me pergunto:
Quantos deuses terão que morrer
Para que possamos viver?

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