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Em 2006 escrevi um texto intitulado SALVEM A IGREJA DO ROSÁRIO. Era um grito contra a construção de um posto de gasolina em frente ao imóvel sagrado de nossa história e que, por conseguinte, macularia a visão do velho prédio sagrado. Mas não só isso. A construção do posto naquele local era proibida, como ficou evidente depois. Mas num primeiro momento, era proibida porque assim a Lei municipal o determinava. O texto era, concomitantemente, um grito contra o legislar em causa própria e contra a total falta de interesse que os políticos locais à época tiveram em proteger um patrimônio tombado que é também um símbolo da religiosidade do nosso povo. Pois bem, naquela ocasião a lei foi modificada, a modificação foi sancionada pela autoridade máxima, e a construção do posto foi iniciada. Ainda estão lá as estruturas metálicas. Graças a Deus ou à Virgem Maria, eu suponho, as autoridades judiciárias resolveram interferir e, por força de lei maior, a construção foi vetada. E hoje, 25/09/2011, a...

QUEM ME DERA QUE EU MORRESSE HOJE...

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Morrer não é na verdade morrer. Morrer é transformar. Morrer é deixar de ser (José Saramago) Ó meu Deus, ó Jah, Quem me dera Que eu morresse hoje! Quem me dera Que esse pó que sou se espalhasse, Virasse poeira e E se perdesse nesse céu tão vasto Ou nesse mar tão largo... Se eu morresse hoje Então eu não teria que ter sonhos Nem teria que traçar destinos, Eu teria apenas que ter fim... Que eu findasse numa praça sem monumentos Longe do rebuliço das pessoas, Distante da velocidade dos automóveis Para poder sentir a calma da partida E para poder me lembrar, Por um momento apenas, Como era estar vivo... Ou que eu findasse Aos pés das ondas, Vendo o mar, sentindo-o e banhando-me nele Para que ele me levasse à eternidade do sepulcro... Quem me dera que esse pó que sou Derretesse sob uma forte chuva E depois fosse embora com as enxurradas E que sobrasse na minha ida Apenas um pequeno veio de cal Indicando levemente O fim de uma dorida existência... Ou ainda, Que o meu co...

OLHE POR ONDE VOCÊ ANDA!

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OLHE POR ONDE VOCÊ ANDA! Al Yasa ibn Jibrail Não, não se trata de uma ordem. É apenas um lembrete, para que você, ao andar pelas calçadas de Luziânia, não tropece em alguma mercadoria à venda no comércio local. É claro que você já percebeu! Você sai cedo de casa, mas cedo mesmo sai tropeçando em petrechos colocados estrategicamente nos passeios, impedindo você de ir livremente. Os petrechos são inconvenientes, mas é ainda pior quando cercam, isso mesmo, cercam o passeio, fazendo você dar volta na rua, disputando o espaço com os carros, correndo riscos de sofrer acidentes. “A Constituição Federal de 1988 (CF/88) estabelece que a política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes (art. 182). E com base nessas diretrizes e também no art. 183 da CF, o Congresso Nacional em 2001 editou o Estatuto das Cidades (Lei 10.257), para regular o uso ...

O LEGISLATIVO SIMBÓLICO

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O LEGISLATIVO SIMBÓLICO Al Yasa ibn Jibrail Uma série de reportagens apresentadas pela Rádio CBN confirmou que o nosso sistema legislativo é subserviente ao executivo na União, nos Estados e nos Municípios. Montesquieu, o responsável pela divisão dos poderes em três esferas (Legislativo, Executivo e Judiciário), teorizou poderes harmônicos entre si, mas cada um cumprindo o seu papel. Nesse particular, ao Executivo caberia comandar o país, ao Legislativo, criar leis e fiscalizar o Executivo, e ao Judiciário, zelar pela aplicabilidade das leis. Na doutrina do seu livro “O espírito das leis”, Montesquieu "Visou limitar o Poder do Estado, dividindo-o em funções, e dando competências a órgãos diferentes do Estado, e tinha por base também aumentar a eficiência do Estado, pois cada órgão do Governo tornar-se-ia especializado em determinada função. Com isso, estas duas bases da teoria de Montesquieu, acabavam por diminuir visivelmente o absolutismo dos governos" (MATIAS, 2007)....

À TUA ALMA...

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À TUA ALMA... A alma que tens é muito mais humana E generosa que a minha, E teu apego à família Comove até as montanhas. Pois de tuas mãos calejadas E do suor que respinga em teu rosto És capaz de retirar bondade e bens Para acalentar teus dois filhos E os filhos dos teus irmãos, Que caíram sobre teus ombros Numa tarde chuvosa de janeiro. Eu, por minha vez, Com minha alma sempre angustiada, vadia, Por vezes vazia, Olhando para longe do horizonte, Não conseguia ver além da minha própria agitação. Mas o que é a generosidade, Se eu sou tão inconstante e capaz De lhe fazer o bem e lhe fazer o mal ao mesmo tempo? E quantas vezes não me perguntava se eu mesmo não era deus, Pois o mesmo calor que lhe dava nunca era o mesmo que recebia, E se toda a pureza que vi em teus olhos A ela jamais dei importância. Mas nunca deixei de notar Que o teu apego a mim foi sempre maior À dedicação que sequer lhe pude oferecer.

PELO SONHO É QUE VAMOS

Pelo Sonho É Que Vamos 1 Desabrochada no deserto voz humana Descampada no sereno e no abandono Desterrada por inverno em noite inglória Desgastada num repuxo o seu engano Revertida para a morte em confluência Repousa sobre o chão como em candura Repisada a juventude e a inocência Retorna humana a andar na lama escura Concisa humana voz pretensiosa Precisa e laboriosa voz humana Louvada humana voz silenciosa Silenciosa desce à terra sem importância Porque agrada ao ditador calar-te a ferro Feroz a voz humana em arrogância... 2 Repisa no humano o tanque bruto Refreia o humano a mão ditosa Regurgita sobre o homem o seu esputo Reverte a voz humana à sepultura Despenca feito a noite a foice impune Desprende do seu tronco humana sede Depura com furor humano estrume Desfigura a inocência e a encobre Calar-te humana voz é imperativo Amordaçar-te é impreciso voz humana Impreciso imperativo é assassinar-te Geme em cadafalso teu ativo, Retorce tronco frio se...

CÍRCULO

Nunca mudo, Escreve, odeia e sente, Sobretudo sente o mundo Confuso e maledicente. Nunca mudo, Escreve, sente e odeia, Sobretudo odeia o mundo Maledicente e cadeia. Nunca mudo, Sente, odeia e escreve, Sobretudo escreve o mundo Cadeia, confuso e breve.